Já que é para tombar, tombei
Pelo reconhecimento do túmulo e da memória de Madame Satã como patrimônio material e imaterial da cultura brasileira.
Negro, gay, ex-presidiário e, acima de tudo, lenda: João Francisco dos Santos, a Madame Satã, desafiou os limites da exclusão social com coragem e talento. Enfrentou o racismo, a LGBTIfobia, o cárcere e a marginalização com a mesma intensidade com que dominava os palcos da Lapa. É diante desse histórico que nasceu a proposta de tombar seu túmulo, na Vila do Abraão, em Ilha Grande.
Madame Satã não foi personagem. Foi realidade crua e brilhante.
Como a campanha nasceu
Durante uma longa pesquisa por novos atrativos e histórias locais de Angra dos Reis, Baltazar de Almeida — estudante de turismo e pesquisador dos segmentos turísticos LGBTI+ e do Afroturismo — encontrou um blog que contava a história de Madame Satã, sua importância cultural, sua vivência em Angra dos Reis e a localização de seu túmulo.
Negro e morador de comunidade em Angra dos Reis, Baltazar se aprofundou na trajetória de João Francisco e deu entrada no processo oficial de tombamento em janeiro de 2025.
Saber que uma figura tão importante está enterrada ali, ao lado da casa de uma amiga caiçara, me trouxe ainda mais vontade de proteger esse patrimônio.
Baltazar de Almeida, pesquisador e autor da proposta
Por que isso importa
A ação denuncia a escassez de monumentos e homenagens dedicados a personalidades LGBTI+ e negras no Brasil. Com apoio do Grupo Arco-Íris, a proposta busca também valorizar a importância cultural de Madame Satã para o samba, a capoeira, a arte e a cultura marginalizada do país.
A história de Madame Satã muitas vezes foi contada por olhares brancos e cisgêneros, sem dar espaço para as camadas mais profundas de sua trajetória: a luta contra a escravidão, o racismo, a homofobia e o desejo de ser artista.
Baltazar de Almeida
Seu túmulo guarda mais do que restos mortais: guarda a memória de uma luta que atravessou o século. Preservar sua lápide é preservar um capítulo inteiro da resistência brasileira, da cultura de rua e da arte popular.
Presidente do Grupo Arco-Íris de Cidadania LGBTI+
“Madame Satã tombou a repressão. Agora é a nossa vez de tombar seu nome como história viva.”
Divulgue a campanha
Baixe os materiais, compartilhe e ajude a manter viva a memória de Madame Satã.
A proposta foi apresentada durante a Conferência Regional dos Direitos da População LGBTI+, em Angra dos Reis, e o pedido de tombamento segue em análise no Iphan. O projeto é mais do que um gesto simbólico: é um ato de reparação e de reconhecimento do legado de João Francisco dos Santos.